Os visitas *

Este blog está a perder o fôlego, que nunca foi fogo ;-), porque o exercício de publicar para o boneco acaba por ser desencorajador, como é normal.

Teimei em abrir este blog depois de deixar o Facebook apenas para provar (e convencer-me a mim própria) que não me deixo levar pelo moto “Estou no Facebook, logo existo”, e que uma pessoa pode manter um cantinho simpático no ciber-espaço, marcado com a sua mijinha regular.

Mas, é claro, é uma presença sem partilha. Já se sabe que a vida não está para se andar a visitar blogues por aqui e por ali quando se tem aquele enorme espaço comum, supervisado, vigiado, condicionado, mas onde se encontra, se partilha, se dialoga com toda a gente, amigos, família, conhecidos e desconhecidos num alegre obnubilar das repercussões que têm essas plataformas nas teias sociais humanas.

Eu sabia que um blog, nesta altura do campeonato, estava condenado ao papel de “boneco”, aquele para o qual se fala sem se ser ouvido, mas mantive a teima. Só que não me sinto inspirada para escritos pessoais, histórias, opiniões… Limito-me a publicar coisinhas que vou encontrando por aqui e por ali, à maneira facebook – ‘olhem uma coisa gira que alguém partilhou ou que encontrei por aí nalguma publicação’. Até que, a pouco e pouco, fui perdendo assunto e vontade.

Então, no outro dia, antes de tomar a decisão de fechar ou continuar, deixei-me vencer pela curiosidade e instalei um daqueles programas espiões que nos dizem quantos visitantes temos e de onde é que vêm. Eu sei, é feio, e vou desinstalar o bicho, foi só um momento de fraqueza. Mas não é que… tenho visitantes, sim, 2 ou 3, do Porto, de Cascais… Pena que ninguém de Lisboa, mas enfim, já é consolador pensar que há pelo menos duas almas (amigos?) que vêm de vez em quando flutuar comigo.

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Actualização para o boneco, 10/04/2022: Afinal os ‘visitas’ eram apenas os comerciais das redes de comunicação em busca de novos espaços para publicidade. Por conseguinte, paro por aqui com este blog completamente fútil. Espero um dia ver nascer uma rede social resistente, livre e independente onde possa reencontrar amigos e retomar a agradável experiência da partilha de prazeres virtuais, textos e opiniões.
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*”o visita, os visitas” é como a narradora do “Notícia da Cidade Silvestre” (Lídia Jorge) chama a quem lhe aparece em casa.

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