{"id":36,"date":"2021-11-19T15:17:33","date_gmt":"2021-11-19T15:17:33","guid":{"rendered":"http:\/\/flutuando.net\/?p=36"},"modified":"2021-12-05T15:18:33","modified_gmt":"2021-12-05T15:18:33","slug":"journal-dune-rescapee-des-reseaux-sociaux","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/flutuando.net\/index.php\/2021\/11\/19\/journal-dune-rescapee-des-reseaux-sociaux\/","title":{"rendered":"Porque fugi das redes sociais onde estava a divertir-me tanto"},"content":{"rendered":"\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"343\" height=\"512\" src=\"http:\/\/flutuando.net\/wp-content\/uploads\/2021\/11\/0000unnamed.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-78\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p>Como gostava de estar inspirada para vos falar de uma decis\u00e3o que me foi imposta pela leitura de um texto de um economista de que n\u00e3o vou revelar a identidade para n\u00e3o despoletar preconceitos de nenhuma esp\u00e9cie. O texto abriu-me os olhos de uma forma brutal. N\u00e3o pelo seu estilo, que o autor \u00e9, pelo contr\u00e1rio, uma pessoa mansa e delicada, mas pelas verdades objectivas que ali comparecem, preto no branco, mais claras do que um bom murro no est\u00f4mago.<\/p>\n\n\n\n<p>Transcrevo no fim deste artigo os excertos que considero objectivos e, consequentemente, ineg\u00e1veis, sem forros nem ornamentos politicamente inviezados.<\/p>\n\n\n\n<p>Entrei no Facebook em 2004, quando estava a colaborar com o Miguel Portas e Bloco de Esquerda aqui em Bruxelas. Na altura algu\u00e9m se entusiasmou por esta nova plataforma de contactos quase directos, esta esp\u00e9cie de <em>Dazibao<\/em> pronto-a-utilizar, e todos salt\u00e1mos alegremente a p\u00e9s juntos (Miguel incluso) para este planeta desconhecido que, na altura, at\u00e9 para o pr\u00f3prio Zuckerberg era como um jogo inocente, uma cena gira s\u00f3 para curtir. E assim se passaram 17 anos de doce aliena\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>O Facebook abriu-me muitas descobertas, especialmente artisticas e culturais, que foram muitos momentos de prazer e emo\u00e7\u00e3o. Trouxe-me a sensa\u00e7\u00e3o de estar rodeada de amigos e trouxe-me de volta grandes amigos cujo contacto tinha perdido. Diria que estas s\u00e3o coisas que nenhum dinheiro do mundo paga mas t\u00ea-las \u00e0 custa da manipula\u00e7\u00e3o massiva que hoje em dia o Facebook e outras plataformas do g\u00e9nero representam, isso j\u00e1 \u00e9 caro de mais, n\u00e3o quero ser parte.<\/p>\n\n\n\n<p>Depois de ler o tal texto de que transcrevo excertos abaixo n\u00e3o tive outro rem\u00e9dio sen\u00e3o encarar esta realidade: eu fui um dos gr\u00e3os com que gr\u00e3o a gr\u00e3o o Zuckerberg foi enchendo o papo, crescendo-lhe os olhos de ambi\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que o Facebook se povoava de maneira viral. Neste momento, o Zuckerberg e seus amigotes transformaram-se em pequenos imperadores a jogar ao Monop\u00f3lio com dinheiro a s\u00e9rio, movimentando cada ano somas que podiam dar uma casa e de comer ao mundo inteiro. E como os gr\u00e3os que o Zuckerberg papa t\u00eam o poder de permanecer vivos e nutritivos enquanto continuarem instalados dentro deste monstruoso organismo, eu agora digo: BASTA.<\/p>\n\n\n\n<p>Basta de engordar a conta de banco do Zuckerberg, os seus ap\u00f3stolos, as suas igrejas e os seus casinos<\/p>\n\n\n\n<p>Basta de pertencer \u00e0 carneirada \u201cEstou no Facebook, logo existo\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>BASTA de contribuir para um sistema destrutivo dos la\u00e7os sociais necess\u00e1rios \u00e0 mudan\u00e7a do sistema!<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 claro que nesta hist\u00f3ria eu vou perder muito mais do que o gr\u00e3o que o Zucker vai ter que regurgitar, mas tem que ser e o tem que ser tem muita for\u00e7a. Continuar no Facebook seria todos os dias trair os meus princ\u00edpios durante uma horas, como j\u00e1 o fiz durante estes anos todos e isso n\u00e3o quero mais!<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/p>\n\n\n\n<p>E agora os tais excertos do tal texto do tal economista:<\/p>\n\n\n\n<p>\u00abA mudan\u00e7a de nome da casa-m\u00e3e do Facebook, Instagram e WhatsApp para Meta \u00e9 mais do que um truque publicit\u00e1rio, \u00e9 uma declara\u00e7\u00e3o de guerra. <\/p>\n\n\n\n<p>Zuckerberg nunca escondeu a ambi\u00e7\u00e3o de controlo total do mundo comunicacional e, com o Meta, anuncia que chegou a sua era. Tudo se pode resumir ao uso do tempo: passando do universo f\u00edsico para o metaverso, instalar-nos-\u00edamos num mundo digital em que dever\u00edamos trabalhar, fazer as nossas compras e pagamentos [&#8230;], assistir a concertos e a filmes, ver as s\u00e9ries que nos oferecem, participar em jogos, comunicar com amigos, multiplicar likes, alimentar grupos, viver as nossas rela\u00e7\u00f5es sociais e amorosas, viajar virtualmente, dormir e sonhar. <\/p>\n\n\n\n<p>Todo o tempo seria vivido dentro do metaverso, que substituiria a escola, a fam\u00edlia e os amigos reais, a televis\u00e3o e os jornais, at\u00e9 a natureza. No metaverso s\u00f3 viveremos connosco mesmos ou com os nossos avatares. [&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] Frances Haugen, uma ex-diretora da equipa sobre desinforma\u00e7\u00e3o c\u00edvica da empresa, explicou que \u201cacredito que os produtos do Facebook prejudicam as crian\u00e7as, intensificam a divis\u00e3o e enfraquecem a nossa democracia\u201d e que a empresa sabe do efeito intoxicante dos discursos de \u00f3dio mas recusa os mecanismos para os controlar, dado que reduzem a utiliza\u00e7\u00e3o da rede social. (<em>nota minha, fora do contexto: como controlar os discursos de \u00f3dio sob a \u00e9gide da sacrossanta liberdade de express\u00e3o??<\/em>) <\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] o que importa a Zuckerberg \u00e9 o tempo e a intensidade da participa\u00e7\u00e3o no metaverso e, portanto, os discursos de \u00f3dio s\u00e3o s\u00f3 um bom neg\u00f3cio. [&#8230;]<\/p>\n\n\n\n<p>(aqui, o autor exp\u00f5e v\u00e1rios factos relativos \u00e0s consequ\u00eancias do tempo de utiliza\u00e7\u00e3o sobre as capacidades cognitivas e a efeitos perversos sobre a psicologia das crian\u00e7as e adolescentes, baseados em relat\u00f3rios e estudos)<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] Em fun\u00e7\u00e3o disso, a empresa atrasou, mas n\u00e3o desistiu, de um novo sistema para atrair menores de 13 anos. O metaverso quer engolir toda a gente.[&#8230;] <\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] Aten\u00e7\u00e3o, os nossos filhos j\u00e1 vivem no metaverso.O efeito, escreve Desmurget, \u00e9 a perda de compet\u00eancias cognitivas e at\u00e9 f\u00edsicas (obesidade e redu\u00e7\u00e3o da esperan\u00e7a m\u00e9dia de vida), mudando atitudes (cren\u00e7a acr\u00edtica na informa\u00e7\u00e3o do ecr\u00e3) e reduzindo capacidades (de linguagem ou de concentra\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] Este caminho estava anunciado. O dom\u00ednio destas empresas, a Meta, a Google e a Apple, os maiores emp\u00f3rios do mundo, \u00e9 o poder do s\u00e9culo XXI. Um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o mundial j\u00e1 vive todos os dias no Facebook, ou no WhatsApp, ou no Instagram, no metaverso de Zuckerberg; 90% das nossas buscas seguem o Chrome, da Google, que tamb\u00e9m det\u00e9m o YouTube, o segundo motor de busca mais popular, al\u00e9m de fornecer o Android \u00e0 maioria dos smartphones. <\/p>\n\n\n\n<p>[&#8230;] estes sistemas colonizam os nossos dados pessoais e monitorizam a nossa vida em busca do controlo total dos nossos desejos. Assim, a identidade da maior parte da popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 agora ancorada no seu reconhecimento por via das plataformas das poucas empresas que constituem a oligarquia desta infraestrutura em rede.\u201d<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como gostava de estar inspirada para vos falar de uma decis\u00e3o que me foi imposta pela leitura de um texto de um economista de que n\u00e3o vou revelar a identidade para n\u00e3o despoletar preconceitos de nenhuma esp\u00e9cie. O texto abriu-me os olhos de uma forma brutal. 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